08/07/2011

Quarto Poder - O sonho de Murdoch acabou!

O sujeito nasce na terra dos cangurus, lá na Austrália. Porém, é nos Estados Unidos que vai perseguir o tal american way of life. Faz fama, faz fortuna, conquista mulheres e o mundo. Quando tudo parecia estar perfeito para que o magnata (adoro esse termo, que não diz quase nada, mas pesa bastante num texto) Rupert Murdoch finalmente se aposentasse, vem a internet e muda as coisas de um jeito que ninguém esperava. Logo ele, uma espécie de Roberto Marinho do Hemisfério Norte, teve que voltar ao batente nos diversos escritórios que a News Corp., seu conglomerado de mídia, tem América afora.

Murdoch não contava com as perspicácia de um pessoal que cansou dessa história de gatekeeper, mass media, e tantos outros jargões que são cuspido das bocas de professores de Jornalismo, Publicidade e sabe-se lá quais outros campos da Comunicação. O publisher de si mesmo compete com um Wall Street Journal da vida de igual para igual. Pode não ter a mesma audiência mastodôntica, mas às vezes tem mais credibilidade. Se for comparar com a Fox News, então, nem se fala. Graças à internet, claro.

A internet, essa nova “coisa” que misturou informática, tecnologia, telecomunicações e conteúdo, tudo num balaio só, abriu as portas para que qualquer sujeito com acesso a um PC e a uma rede de dados publique o que bem quiser, na hora que bem entender, e do jeito que achar mais conveniente. Sem pedir permissão a ninguém na maior parte dos países (a China é exceção, felizmente, com o seu Grande Firewall). Acredite, é verdade: o próprio Google, que embolsa bilhões por ano nesse negócio, tem um serviço gratuito para publicação daqueles textos rápidos chamados de post.

E como fica Murdoch nessa história? De início, não ficava. O quase centenário bateu pé dizendo que não iria para a rede, que seu negócio era jornal. Até que a receita com seus veículos, inclusive empresas conceituadas e tradicionais, começou a minguar como nunca antes na história da News Corp. E, claro, numa situação complicada, a gente faz qualquer coisa para não abrir mão do croissant e do suco de tâmaras importadas logo pela manhã. Murdoch abriu todo o conteúdo na web, mas também não deu muito certo. Qualquer pessoa com mais de dois anos de serviços prestados à internet sabe que a publicidade não é tão vasta assim. No fim das contas, alguns jornais virtuais do magnata (olha aí, de novo!) não conseguiam fechar suas contas.

Agora parece que Murdoch e sua trupe optaram pelo caminho do bom senso. Parte dos conteúdos dos veículos cai na rede com acesso livre e desregrado. Ou parte, o filé da produção jornalística, fica disponível somente para os leitores que toparem pagar a mais por esse conteúdo – ou que sejam assinantes do veículo impresso, o que costuma ajudar na hora de acessar o conteúdo online.

Bons tempos em que só os governos e suas censuras ameaçavam os jornais. Era muito mais fácil, deve pensar Murdoch, quando um cheque em branco lhe comprava o que fosse. Comprava inimigos, comprava concorrentes, e comprava até audiência (ou alguém acredita que, naquele tempo, dava para confiar no IBOPE e afins?) Com a internet, tudo mudou. Passou da hora de Murdoch mudar também.

Da web

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Divagações pós-ideologicas & blasfêmias

Tanto se fala no fim das ideologias, mas a verdade é que a humanidade já esqueceu o que elas são. Seu significado esgarçou-se, evaporou-se em meio à fumaça dos carros de luxo misturada à marola dos baseados hippies. Em verdade vos digo: minha ideologia hoje são meus livros, meu computador e alguma coisa no bolso pra cerveja, pizza e cinema. E o desejo de escrever, irreversível. Pois bem, ideologias.

O problema das ideologias, assim como da política, é que se as confunde com idiossincrassias psicológicas ou culturais. Taí uma coisa que percebi há tempos. Esquerdistas e direitistas desenvolveram vícios de pensamento, uns preconceitos bobos, inclusive preconceito contra o preconceito.

Partindo da premissa que é impossível viver sem preconceitos, sob o risco de nos tornarmos um software do Greenpeace, que se nos permitam tê-los. Que se nos permitam ser hipócritas, preconceituosos e maus. Isso que irrita na esquerda. A pretensão de ser bom. Ser bom não é uma questão de ideologia ou linguagem, mas de simpatia e generosidade.

Já fui comunista, anarquista, capitalista, hoje percebo que esses conceitos são artificiais. Não existe capitalismo, por exemplo. Existe democracia. Por isso, os direitófilos são tão nervosos e insatisfeitos com o mundo. Outro dia, li num blog um cara dizendo que os banqueiros estão apoiando os esquerdistas do Brasil, e clama por uma articulação da direita junto aos trabalhadores. Eles acreditam que o mundo atual é socialista. É de morrer de rir. E dá o que pensar.

No entanto, respeito a política. Assim como os médicos. No fundo, sou uma besta em política assim como em medicina. Sou um escritor, e só. E defendo minha classe e que ela tenha mais poder e mais dinheiro. Não pensem, contudo, que ser escritor vale grande coisa. Vale porra nenhuma, ainda mais no Brasil, terra de analfabetos funcionais. Respeito, ia dizendo, os políticos, os médicos e os pipoqueiros. Todos dignos e úteis à sociedade. Agora, não acredito num capitalismo que subsidia grandes agricultores, bancos, seguradoras e complexos militares privados. Que merda de capitalismo é esse? No entanto, esse é o capitalismo americano, europeu, japonês. É um estatismo pior que o comunismo, porque este ao menos ainda provê educação gratuita. Mas não sou comunista porque sou doido, como diria Fernando Pessoa, "com todo o direito a sê-lo, ouviram?", e como todo doido defendo o individualismo. Os loucos são grandes individualistas, porque se acham tão diferentes, tão estranhos.

E o talento. Acredito no talento. Assim como no fracasso. Acredito que os fracos, os bunda-moles e os medrosos têm tanta dignidade quanto seus antípodas, os valorosos. Essa é minha ideologia, que não é das melhores. Talvez seja cristã. Tudo bem, eu supero. Tem uns leitores do blog, uns caras legais, que gostam do que eu escrevo, que andam protestando das minhas divagações blasfemas sobre Deus. Eu andei dizendo que as pessoas não devem confiar tanto em Deus, pois se Ele não conseguiu impedir uma moça inocente como Eva de comer uma maçã, como irá controlar a vontade de três bilhões de mulheres ambiciosas, querendo enganar outras mulheres e todos os homens? Mas sobre isso eu falo depois.

Voltando às ideologias, sempre defendi o individualismo, a liberdade e a democracia. A vaidade também. E o direito de errar e não ser humilhado por isso. Não aceito humilhação. Sei que ela é inevitável e inerente à liberdade que escolhi para mim e para os outros. Mas me revolta ver alguém ser humilhado, mesmo um adversário. Também não concordo com nosso sistema penal. Ninguém devia ir para a cadeia. Só os notoriamente psicopatas e sociopatas. Os outros deviam expiar seu crime trabalhando e pagando multas. Por isso não me tenho orgasmos com Daniel Dantas indo para a cadeira: ficaria mais satisfeito se a Justiça o obrigasse a doar uns vinte bilhões de reais aos pobres do Brasil.

Não acredito em ismos e sim em idéias práticas. Por exemplo, todas as estradas, ruas e avenidas deveriam ter um espaço protegido para pedestres e ciclistas. Acho simplesmente irracional que não seja assim, que um carro tenha direito a trânsito e uma pessoa não. Também acho que o Estado deveria criar uma estatal de aluguel de carros, para estimular as pessoas a, em vez de comprarem carro, alugarem-no na filial mais próxima, podendo entregá-lo em qualquer outra loja da mesma empresa. Idéias, idéias. E também bibliotecas. Espalhar bibliotecas públicas pelo país. E redes gratuitas de wifi.

As pessoas subestimam a importância das chamadas guerrinhas sectárias, entre petistas e tucanos. Como em toda guerra, em toda dialética, ali tambem corre uma energia filosófica, uma faísca de criatividade. Segundo Hegel, a verdade reside na própria tensão dialética, no jogo entre tese, antítese e síntese. Um eterno cículo, águas do rio deslizando, eternamente.

Falta, finalmente, uma consciência de classe por parte dos jornalistas, e coragem em assumir posições políticas, e inteligência para compreender o jogo partidário. É preciso defender um governo aliado, por exemplo, sobretudo quando ele erra. Ou seja, nos momentos difíceis. É muito fácil defendê-lo quando as coisas estão bem. Se alguém acreditou na história de que pragmatismo é um defeito, não tem idéia do que seja a vida. São ranços ibéricos, aristocráticos, quase escravagistas, que ainda nos assolam. Pragmatismo é uma das principais qualidades da política. Dom Quixote foi um grande cara. Admiro-o, amo-o. Mas ele era totalmente insano e ridículo. Sancho Pança que o diga. Suas sandices criavam mais problemas do que ajudavam as pessoas. Isso está bem claro no livro de Cervantes.